sexta-feira, 16 de julho de 2010

A caminho da pensão


Foi ali, naquele distinto lugar
Que houve um pouco de vida
Ungido de palavrões e bebida.

Congelou-se, esmaeceu a pequena quina
As cores das casas coloniais desgastaram-se
E o frescor do silêncio foi cortado pelo forte barulho da locomotiva.

Saí da minha absorção
Pensei, pesado, ensimesmado
Na morte violenta daquele instante.

Foram só pessoas, foram só solitários,
Errados, vazios, vadios, passantes
fundidos com o cheiro fétido do ribeirão
Onde os pequenos ratos espalham a crápula.

E que glória há num depósito cheio de podridão?
O ambiente está infestado pelas cópulas
As migalhas de alimento estão dispersas pelo chão
O cheiro da dama-da-noite confunde-se com a urina
E, depois da locomotiva, o que se ouve são gemidos
São só prazeres...

É vida orgânica se metabolizando, meu caro!


Dani R. F.
Pintura de Maurice Utrillo

2 comentários:

  1. Me deixou a pensar sobre o tempo, e o descolorir das coisas, mas ainda assim vida.

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