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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Etiqueta
Evitar assuntos de política
e outras cousas de homem.
Recolho-me ao meu silêncio,
como de costume
à delicadeza feminina,
como de costume
o traquejo social
de costume.
O desejo contido
faísca nos olhos
quem é bom entendedor lê.
Bordar a roupa de cama
refazer o crochê mal feito
Manter a alma (que vibra) dentro do corpo
sem levantar suspeitas.
Patrícia Fonseca
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Outubro
| pic: Dani Ribeiro |
Tarde emudecida...
Ouvia-se apenas o ranger da corda
o movimento pendular
o corpo estendido
serra descortinada, luz de costas
toca imóvel, pedra-concreto
compunham da janela
natureza morta
E era tudo forma,
o corpo nu embebido de qualquer coisa
irradiando para fora
de si
Viro out, ecto, beira
até que me volto, reviro, me cubro
e de novo sinto-o dentro de mim
[in]
O mundo inteiro lá fora
olha por nós, transforma
a natureza volve, eu vivo
transbordo
Dani Ribeiro
Lavras Novas, 13 de outubro de 2014.
Lavras Novas, 13 de outubro de 2014.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
VIII
Maria anda como eu:Impossibilitada de fazer
tudo o que quer.
Tem mãos amarradas,
ar de doente, olhar de demente,
cansada.
Maria vai acabar como eu:
covarde nas decisões,
amante das cousas indefinidas
e querendo compreender suicidas.
Maria vai acabar assim sem rumo,
andando por aí,
fazendo versos
e tendo acessos
nostálgicos.
Maria vai acabar
bem tristemente.
De qualquer jeito,
lendo jornais,
tendo marido
indefinido.
(Não sei por que Maria
quer compreender
muito demais,
a vida do suicida,
E Maria vai acabar
se fartando da vida.)
A vida coitada,
é camarada, gosta de Maria,
quer fazer Maria viver mais,
porque Maria é desgraçada.
Quer deixá-la para o fim,
assim à mostra,
e eu francamente não entendo
por que Maria não gosta
da vida.
Hilda Hilst (Baladas)
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Brilho finito
"Fico pensando em desintoxicação...
de como me livrar dos objetos
dos números analógicos
do cheiro de arroz e feijão feitos no relógio
ou apodrecendo nas panelas esquecidas no fogão
ruminadas pelos ponteiros langues de domingo ou segunda
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Olho biônico
| pic.: Dani Ribeiro |
Olhos postiços de folhas secas e pragas verdes maculando tudo o que vê e o que não era pra ser visto
dito, reescrito e esses olhos contornados esquartejam o músculo sanguinolento adentram o ânus, a boca, o útero ressoam magnéticas as vias vis sem tempero sem prazer e naquela presença canina
demarcando território prepara um cocktail de outros sêmens que cegam os olhos seus fritam suas olheiras E agora? ficam aí esses buracos vazios a língua saburrosa querendo tudo engolir e vem me dizer que a culpa é minha? Ora, vai cuidar de seus cachorros!
Dani Ribeiro
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