quarta-feira, 30 de julho de 2014

Olho biônico

pic.: Dani Ribeiro

Olhos postiços de folhas secas e pragas verdes maculando tudo o que vê e o que não era pra ser visto
dito, reescrito e esses olhos contornados esquartejam o músculo sanguinolento adentram o ânus, a boca, o útero ressoam magnéticas as vias vis sem tempero sem prazer e naquela presença canina
demarcando território prepara um cocktail de outros sêmens que cegam os olhos seus fritam suas olheiras E agora? ficam aí esses buracos vazios a língua saburrosa querendo tudo engolir e vem me dizer que a culpa é minha? Ora, vai cuidar de seus cachorros!


Dani Ribeiro

terça-feira, 29 de julho de 2014

Vende-se



Anunciaram a construção de um loteamento
"Condomínio Nova Era"
Com domínio particular

Compraram a terra
o morro do cruzeiro
o verde, a fé, a pedra
privatizaram o morro inteiro

Implantaram na cidade
As antenas da modernidade
A gente toda se alvoroçou
Menos os especuladores
Que em tudo seu preço colocou:

o mato, o tato, o beijo
o vinho, o vôo, o jogo
o sonho, o toque, o jeito
o calor, o fogo, o gozo

"As taxas de juros são tabeladas em, no máximo, 12% ao ano ..."

Dani Ribeiro

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Agora é só poesia! Vamos espalhar a febre!



“Vamos fazer um acordo pra salvar as possibilidades!
Um acordo que de tão livre,
não precise ser respeitado;
por sinal, nesse acordo
o respeito desaparece
por não ser necessário.
A palavra vai dar lugar à amizade,
e não existirá a ideia do ontem,
nem a angústia do amanhã,
e a culpa do presente
será diluída nos atos inconsequentes.
E será igual pra todos:
Igual pra rola,
igual pro cu,
igual pra buceta.
Ofereço fogo
para o incêndio daqueles que nos contrariam.”

poeta Zizo (Febre do Rato)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sabotagem



Enterraram o comício
a fala súdita
o palanque.
Sabotaram o fone
Mega –
lômaníacos
Loucos!
loucos eles são
em falta dela
a sanidade

Libertaram-se.


Dani Ribeiro

domingo, 18 de maio de 2014

Conversa desafinada


Um líquido vicejante
pactua uma melodia
qualquer
no fundo do copo
na mira do olho

reticências
permanências

A noite ainda arrisca
um verso pueril
a mácula aguarda
ardente
o espetáculo sorrateiro:

Se somos o fim
de tudo
o nada
ao menos
ficou
o sim


Dani Ribeiro