domingo, 18 de maio de 2014

Conversa desafinada


Um líquido vicejante
pactua uma melodia
qualquer
no fundo do copo
na mira do olho

reticências
permanências

A noite ainda arrisca
um verso pueril
a mácula aguarda
ardente
o espetáculo sorrateiro:

Se somos o fim
de tudo
o nada
ao menos
ficou
o sim


Dani Ribeiro

sábado, 17 de maio de 2014


em que pese os cílios
mestiços
a curva desabituada
ao não

Tal vez

e mesclam dissonantes
vozes roucas
faladas em teclas
espirros

sinuca
olho
sinuosas vias
insinuantes

os cílios cerrados
o peso
ainda no corpo
a mente errada

cilada.



Dani Ribeiro

terça-feira, 15 de outubro de 2013



A cidade ainda vigia
entre pichações, ruídos,
confabulações
E a esquina sutil
onde mora
o prelúdio

Conversas abafadas,
grunhidos,
vias tortas
entresilhadas
alvejadas por luzes
despautério

Esqueceram-se
das paredes brancas
encardidas
os lençóis manchados
a taça aos trincos
os brincos perdidos

Na cidade os olhos espiam
tecem o esconderijo
a terna idade, os anos idos
Amor-tecem
E no gozo

epílogo


Dani Ribeiro

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

On/Off

máquinas vitais
ligadas a fios
entre-laços
que cortam
se cruzam
amarram
emaranham-se

acoplaram
        arames
rede, pelo, fio
terra, fogo
wi-fi
o Encaixe perfeito
in/out

a boca geme
faminta
engole
expele
os fluídos,

fluxos

vísceras

poros

corpos
conectados
movimentos entranhados

 e simbiose


Dani Ribeiro


terça-feira, 19 de março de 2013

Contranarciso

Em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós.


Paulo Leminski