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sexta-feira, 18 de maio de 2012
Leopoldo
Minha namorada cocainômana
me procura nas madrugadas
para dizer que me ama
Fico olhando as olheiras dela
(tão escuras quanto a noite lá fora)
onde escondo minha paixão
Quando nos amamos
peço que me bata
me maltrate fundo
pois amo demais meu amor
e as manhãs empalidecem rápido
Francisco Alvim
quinta-feira, 1 de março de 2012
Comum desacordo
Despertador em frenesi.
O casal acorda
reluta em amar de acordo
desfaz-se do nó da corda
Os cônjuges
desamarram-se
desalmam em si
Dani Ribeiro
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Depois do Carnaval
Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.
À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.
(...)
Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?
"Ved de quán poco valor
Son las cosas tras que andamos
Son las cosas tras que andamos
Y corremos..."
dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...
Cecília Meireles
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Espera da poesia
Absorvi mil impressões
expurguei outras mil
sem que me fosse possível descrever
essas percepções incômodas que zunem num
e noutro momento
Estou com a alma de uma velha destoada
do canto falho, de visão opaca
com este sentimento de quem fica
à espera de algo
no embalo do vento
E Godot não vem
não vem não
vem...
Dani Ribeiro
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
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