sexta-feira, 11 de março de 2011

Isqueiro


Você e sua voz arranhada...


perdeu o juízo?
ou acabou...



Quem te viu...


Apenas delírios obscenos...


Queimamos a nossa grana
ateamos fogo em nossas coisas


Deve ter um livro em brasa
ou um cão carbonizado



Lucas FL.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Declínio

A Odalisca - Matisse


As mãos suadas esfregavam-se na calça jeans. Ela não gostava de sentir suas mãos úmidas. Ao alisar os cabelos, fios e fios caiam pelo chão devido à oleosidade. Recolhia-os e partia ao meio como um gesto de alívio. A fragilidade dos fios causava-lhe um certo consolo. Sua beleza a cansara tanto que fizera com que ela procurasse, a todo instante, um pequeno descuido destrutivo.
Desejava ardentemente o aparecimento de espinhas em seu rosto só para ter o prazer de espremê-las e ver sair o pus branco. Ela dizia que a sensação era semelhante à de um orgasmo, e o pus, ao de uma porra bem gozada. Seu empenho por comprimir aquelas tão bem-vindas espinhas valia mais do que um belo e harmonioso rosto marcado.
Mordiscava suas unhas e deixara de pintá-las. As vezes, alguma sujeira acumulava, e ela limpava-as com os dentes.
Não tinha os mesmos cuidados com os dentes que, outrora alvos, agora já apresentavam alguns sinais de amarelamento. Parara de passar fio-dental e frequentemente dormia sem escová-los. Só fazia isso quando não suportava mais o seu hálito.
Mas durante algumas ligeiras noites... transformava-se numa mulherzinha quase perfeita e formosa. Saía pela rua, e o pus noturno se transformava em um sêmen jorrado em sua entranhas.  

Dani R. F.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Os sete pecados




"Transformo meus pecados em literatura antes que alguém descubra e faça chantagem." 

Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Chanson D'Amour

O que quer que pensasse, 
tudo voltaria a chanson d'amour
Havia insetos em volta da luz 
já se passavam das vinte horas 
retirou das unhas o esmalte azul 
de azul só ficou o blues da vitrola
Mas que quer que cantasse 
acabaria cantando a chanson d'amour
Terminou uma parte do desenho 
trocou umas palavras com a criança 
pensou na noite que chegara com receio 
desejou profundamente uma grande mudança
mas o que quer que desejasse 
desejaria de novo a chanson d'amour
Quis uma garrafa de um destilado 
lembrando do olhar daquele cantor 
aquele seu ar francês e seus cigarros 
cantando a frase da madrugada anterior
o que quer que lembrasse 
lembraria da chanson d'amour
que gosto de cais havia deixado tal madrugada. 
gosto de perfume amadeirado e cigarro caro 
que gosto de cinema, de Jean-Luc Godard 
gosto de chapéu preto e uísque barato
o que quer que fumasse 
ela fumaria a chanson d'amour
desejar o impossível é uma tolice 
uma tolice deliciosamente saborosa 
ela não deixou de lado essa crendice 
e acompanhou com um copo de vodka
e o que quer que bebesse 
beberia da chanson d'amour
afinal, uma nova noite começara 
e havia uma outra perspectiva ainda 
um perfume diferente ela borrifara 
e à nova noite desejou boas-vindas
mas no final do disco 
havia a chanson d'amour

sábado, 1 de janeiro de 2011

A um qualquer


Vou sair em busca do amor em qualquer esquina,
Vou oferecê-lo à primeira roda de amigos,
Cantarei em versos na porta de um bar,
Regarei a flor com vinhos e mijos.

E na busca, encontrá-lo-ei no fundo do copo,
Bebê-lo-ei até a última gota
E depois guardarei dentro de uma garrafa
Com o gosto dele amargando a boca.

E todos os dias, alimentarei o amor
Com gosto de mel e dose de cachaça
Para que ele não acorde sóbrio
E não perca o fôlego depois da ressaca.

O meu amor renascerá bêbado todos os dias
Em todos os cantos da cidade vazia.
O meu amor não perderá seu fogo
E nem se queimará fazendo acrobacias.

O meu amor será alcoólatra
Com sede de arte e ânsia do tédio.

Dani R. F.