segunda-feira, 21 de junho de 2010

No canto do olho

Bem aqui, ali no canto
No ultimo lugar
No esgotamento do mito
Na pestana insensível


A branca com sardas
Fios pretos pretos
As sobrancelhas finíssimas
O Mais estava ali

Seria o monólogo de Vênus
A condessa auxiliar
Uma pobre
Intensa e intensa

Ali se passa uma esquina louca
Um fundo silencioso
Onde vitimadores olhares
Viciam as imagens minhas

Por favor, me dê isso e aquilo
Obrigado!
Tem formol?
Quero mais esses dois olhos para levar.


Lucas F.L.
Foto de Anna karina

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago: Luto

"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais"

"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida"

"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória"



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Em tempos de Copa


“Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakesperiana. Às vezes, num córner bel ou mal batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural”.

Nelson Rodrigues
"Sou um suburbano. Acho que a vida é mais profunda depois da praça Saenz Peña. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte”.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A procissão


Um murmúrio vindo de longe ressoa pelo alto-falante
Ainda indistinguível, mas já anuncia a morte.
Homens e mulheres lamentam-se como de costume
E adornam suas casas com uma manta roxa e branca

A procissão aproxima-se melancólica e vagarosamente
Seus seguidores unem-se para chorar a morte de Cristo
O corpo santo segue em frente, venerado por seus fiéis
Maria, mãe de Jesus, em lamúrias, quase se desfalece.

As velas acesas, o incenso, o aroma das flores noturnas
O vento que abraça a multidão e ameaça as luzes
Uma canção lúgubre cantadas por milhares de vozes
Acompanha o séquito sagrado de sexta-feira santa.

Vejo a procissão interminável, caminhando sorumbática
Os semblantes graves, mal iluminados pela vela
As vozes que arranjam a musica com tal imperfeição
Que chega a ferir a imponência do culto religioso.

Companheiro, não sinto outra coisa além da compaixão.
Bem posso sentir o cheiro forte da terra...
Todos aqueles que ali caminham desconhecem
O triste fim que por eles, espera.

Dani R. F.
* Escrito na Semana Santa (2010)