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quinta-feira, 3 de junho de 2010
A procissão
Um murmúrio vindo de longe ressoa pelo alto-falante
Ainda indistinguível, mas já anuncia a morte.
Homens e mulheres lamentam-se como de costume
E adornam suas casas com uma manta roxa e branca
A procissão aproxima-se melancólica e vagarosamente
Seus seguidores unem-se para chorar a morte de Cristo
O corpo santo segue em frente, venerado por seus fiéis
Maria, mãe de Jesus, em lamúrias, quase se desfalece.
As velas acesas, o incenso, o aroma das flores noturnas
O vento que abraça a multidão e ameaça as luzes
Uma canção lúgubre cantadas por milhares de vozes
Acompanha o séquito sagrado de sexta-feira santa.
Vejo a procissão interminável, caminhando sorumbática
Os semblantes graves, mal iluminados pela vela
As vozes que arranjam a musica com tal imperfeição
Que chega a ferir a imponência do culto religioso.
Companheiro, não sinto outra coisa além da compaixão.
Bem posso sentir o cheiro forte da terra...
Todos aqueles que ali caminham desconhecem
O triste fim que por eles, espera.
Dani R. F.
* Escrito na Semana Santa (2010)
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Salutante
Que cantem os pacatos noturnos sob o luar,
Na esperança de que o tempo passe com mais vagar.
Mas aqui, a juventude desbota suave, ligeira.
E o tempo corre, depressa, faminto.
O amor floresce no sexo, instinto.
E cá estão os enamorados extravagantes,
Extasiados, exagerados na embriaguez , saúdam!
Sabem que a vida é breve, e que o amor
não passa
de uma
Farra.
-Morituri te salutant!
Dani R. F.
Vulgívaga
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!
Não sei entre que astutos dedos
Deixei a rosa da inocência.
Antes da minha pubescência
Sabia todos os segredos...
Fui de um... Fui de outro... Este era médico...
Um, poeta... Outro, nem sei mais!
Tive em meu leito enciclopédico
Todas as artes liberais.
Aos velhos dou o meu engulho.
Aos férvidos o que os esfrie.
A artista, a coquetterie
Que inspira... E aos tímidos - o orgulho.
Este caçôo-os e depeno-os:
A canga fez-se para o boi...
Meu claro ventre nunca foi
De sonhadores e de ingênuos!
E todavia se o primeiro
Que encontro, fere toda a lira,
Amanso. Tudo se me tira.
Dou tudo. E mesmo... dou dinheiro...
Se bate, então como o estremeço!
Oh, a volúpia da pancada!
Dar-me entre lágrimas, quebrada
Do seu colério arremesso...
E o cio atroz se me não leva
A valhacoutos de canalhas,
É porque temo pela treva
O fio fino das navalhas...
Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!
Manuel Bandeira
Pintura de Amadeo Modigliani, 1917
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Aniversário do meu blog e Prêmio Dardos 2010
Oi pessoal. Hoje meu blog completa 1 ano de existência. E justamente nesse dia, nada mais especial do que receber o selo "Prêmio Dardos" do blog Palavras e devaneios
Estou extremamente agradecida e para compartilhar o carinho, vou indicar 10 blogs para receber o selo.
Estou extremamente agradecida e para compartilhar o carinho, vou indicar 10 blogs para receber o selo.
"O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo, que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web"
As regras são:
- Aceitar e exibir a imagem do selo no blog.
- Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
- Escolher 10 blogs para entregar o Prêmio Dardos.
Blogs indicados para receber o selo:
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Travessia
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa
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