quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carnaval

Batuque crescente Indecente
Pretas descompassadas no ritmo do tambor
Cheira a acre o seu frescor
Dança em frenesi a cabocla

Que não pára, ó maluca
Descontraída é a mãe
Ô velha caduca
Vem aqui ó ver como ela dança
Em ritmo quase cai que balança

Salve São Jorge, áfrica
Bate tumba catacumba
Veja como mexe essa mucamba
Se der gol vai ser macumba
Quer ver como no pé da samba?

Ô nega, vem trazer meu vatapá!
Vem fazer meu carnaval
Celebrar o amor carnal
Fazer a vida uma festa, minha flor
Que o tempo voa em ritmo de batuque, amor...

Dani R.F.

Gostei demais deste poema... fiz no ano passado e guardei para publicar nesse mês.. Para mim, foi minha melhor criação!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Em tempo de Carnaval...


Rio 42 - Chico Buarque


Se a guerra for declarada
Em pleno domingo de carnaval
Verás que um filho não foge à luta
Brasil, recruta
O teu pessoal

Se a terra anda ameaçada
De se acabar numa explosão de sal
Se aliste, meu camarada
A gente vai salvar o nosso carnaval

Vai ter batalha de bombardino
A colombina na Cruz Vermelha
Vai ter centelha na batucada
Rajada de tamborim
A melindrosa mandando bala
O mestre-sala curvando a Europa
A tropa do general da banda
Dançando o samba em Berlim

Se a guerra for declarada
A rapaziada ganha na moral
Se aliste, meu camarada
A gente vai salvar o nosso carnaval

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Casamento

Há dois cômodos brancos na casa
Que separam duas vidas incomuns
e se fazem presente na estranheza do convívio relutante.

No café, a amargura do gosto quente
Mistura-se com o mau hálito do álcool da véspera
Entre um sussurro e um grito
O ódio queima as vísceras do inimigo.

À tarde, a cópula ainda indesejada
Causa violência estomacal.
O outro fica a observar como bicho faminto
As unhas vermelhas que tocam a vulva.

Sem palavras e muitos ressentimentos,
Impregnado de imagens eróticas
O casal se sacia com a masturbação
E se vê obrigado a partilhar o alimento.


Dani R.F.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Qualquer mulher é suburbana. A grã-fina mais besta é chorona como uma moradora do Encantado ou de Del Castilho.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NATAL de Manuel Bandeira


Penso em Natal. No teu Natal. Para a bondade
A minh'alma se volta. Uma grande saudade
Cresce em todo o meu ser magoado pela ausência.
Tudo é saudade... A voz dos sinos... A cadência
Do rio... E esta saudade é boa como um sonho!
E esta saudade é um sonho... Evoco-te... COmponho
O ambiente cuja luz os teus cabelos douram.
Figuro os olhos teus, tristes como eles foram
No momento final de nossa despedida...
O teu busto pendeu como um lírio sem vida,
E tu sonhas, na paz divina do NAtal...


Ó minha amiga, aceita a carícia filial
De minh'alma a teus pés humilhada de rastos.
Seca o pranto feliz sobre os meus olhos castos...
Ampara a minha fronte, e que a minha ternura
Se torne insexual, mais do que humana - pura
Como aquela fervente e benfazeja luz
Que Madalena viu nos olhos de Jesus...


Clavedel, 1913