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sexta-feira, 16 de julho de 2010
A caminho da pensão
Foi ali, naquele distinto lugar
Que houve um pouco de vida
Ungido de palavrões e bebida.
Congelou-se, esmaeceu a pequena quina
As cores das casas coloniais desgastaram-se
E o frescor do silêncio foi cortado pelo forte barulho da locomotiva.
Saí da minha absorção
Pensei, pesado, ensimesmado
Na morte violenta daquele instante.
Foram só pessoas, foram só solitários,
Errados, vazios, vadios, passantes
fundidos com o cheiro fétido do ribeirão
Onde os pequenos ratos espalham a crápula.
E que glória há num depósito cheio de podridão?
O ambiente está infestado pelas cópulas
As migalhas de alimento estão dispersas pelo chão
O cheiro da dama-da-noite confunde-se com a urina
E, depois da locomotiva, o que se ouve são gemidos
São só prazeres...
É vida orgânica se metabolizando, meu caro!
Dani R. F.
Pintura de Maurice Utrillo
quinta-feira, 3 de junho de 2010
A procissão
Um murmúrio vindo de longe ressoa pelo alto-falante
Ainda indistinguível, mas já anuncia a morte.
Homens e mulheres lamentam-se como de costume
E adornam suas casas com uma manta roxa e branca
A procissão aproxima-se melancólica e vagarosamente
Seus seguidores unem-se para chorar a morte de Cristo
O corpo santo segue em frente, venerado por seus fiéis
Maria, mãe de Jesus, em lamúrias, quase se desfalece.
As velas acesas, o incenso, o aroma das flores noturnas
O vento que abraça a multidão e ameaça as luzes
Uma canção lúgubre cantadas por milhares de vozes
Acompanha o séquito sagrado de sexta-feira santa.
Vejo a procissão interminável, caminhando sorumbática
Os semblantes graves, mal iluminados pela vela
As vozes que arranjam a musica com tal imperfeição
Que chega a ferir a imponência do culto religioso.
Companheiro, não sinto outra coisa além da compaixão.
Bem posso sentir o cheiro forte da terra...
Todos aqueles que ali caminham desconhecem
O triste fim que por eles, espera.
Dani R. F.
* Escrito na Semana Santa (2010)
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Ressaca
São tantas horas, oh céus!
Que vida breve, corriqueira
Ao som da gaita, viajo
Meu copo vazio degusta o vomito da ressaca
Sempre mais um pouco de melancolia
Escorrego nessa vadiagem
Com meus dedos que deslizam num piano imaginável
Componho essa banda que me anestesia
Ainda inebriada, ouço.
Quantas tragadas de vozes graves, desarmônicas.
A flauta em puro pó espera dormente
São ritmos confusos, incompreensíveis
Fatigada das noites
Exilo-me do meu próprio lugarejo
Na pausa descompassada, movimento-me
Um desejo se desfalece e ressuscita antes do fim da noite
Em meio a rebuliços, meus pés se locomovem
O corpo hesita, mas dança por chãos movediços.
Ainda espero o copo, sem o vômito,
antes de hidratar meu paladar embebedado.
Dani R.F.
Pintura de Edward Munch
terça-feira, 6 de abril de 2010
Desassossego
E se umas idéias incongruentes perpassassem tua mente?
A subserviência a elas te levaria à prisão repentina
E num ímpeto, uma fúria te assolaria e acabaria com tuas forças.
Eis que me sinto inapta a qualquer ato de violência
Mesmo que minhas pernas estejam se debatendo
E minha cabeça corroída pela cólera.
Assim estou,
Assim permaneço.
Desfazendo-me
E refazendo.
Dani R.F.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Fragmentos Caseiros
antes do alvor.
Gagueira insiste
não há palavras
Ouve-se vozes
de ratos.
O Queijo podre
lança o golpe.
A formiga
na fila eterna
espera o grão
a migalha
a sujeira
e decompõe-se
junto à matéria
orgânica.
No teto
os cupins
devoram
a roupa
a madeira
a carne
os sentidos.
E Proliferam-se.
Também a água
contamina-se
infiltra-se
na parede
no teto
na veia
e faz mofar
o que era belo
Os moveis
no pó.
A roupa
desgastada.
O sapato sujo
e velho
no chão.
O abandono.
A casa
um porão
fede urina
carniça
perde o viço.
Perdem-se
também
os amores.
Dani R.F.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Carnaval
Batuque crescente Indecente
Pretas descompassadas no ritmo do tambor
Cheira a acre o seu frescor
Dança em frenesi a cabocla
Que não pára, ó maluca
Descontraída é a mãe
Ô velha caduca
Vem aqui ó ver como ela dança
Em ritmo quase cai que balança
Salve São Jorge, áfrica
Bate tumba catacumba
Veja como mexe essa mucamba
Se der gol vai ser macumba
Quer ver como no pé da samba?
Ô nega, vem trazer meu vatapá!
Vem fazer meu carnaval
Celebrar o amor carnal
Fazer a vida uma festa, minha flor
Que o tempo voa em ritmo de batuque, amor...
Dani R.F.
Gostei demais deste poema... fiz no ano passado e guardei para publicar nesse mês.. Para mim, foi minha melhor criação!
Pretas descompassadas no ritmo do tambor
Cheira a acre o seu frescor
Dança em frenesi a cabocla
Que não pára, ó maluca
Descontraída é a mãe
Ô velha caduca
Vem aqui ó ver como ela dança
Em ritmo quase cai que balança
Salve São Jorge, áfrica
Bate tumba catacumba
Veja como mexe essa mucamba
Se der gol vai ser macumba
Quer ver como no pé da samba?
Ô nega, vem trazer meu vatapá!
Vem fazer meu carnaval
Celebrar o amor carnal
Fazer a vida uma festa, minha flor
Que o tempo voa em ritmo de batuque, amor...
Dani R.F.
Gostei demais deste poema... fiz no ano passado e guardei para publicar nesse mês.. Para mim, foi minha melhor criação!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Casamento
Há dois cômodos brancos na casa
Que separam duas vidas incomuns
e se fazem presente na estranheza do convívio relutante.
No café, a amargura do gosto quente
Mistura-se com o mau hálito do álcool da véspera
Entre um sussurro e um grito
O ódio queima as vísceras do inimigo.
À tarde, a cópula ainda indesejada
Causa violência estomacal.
O outro fica a observar como bicho faminto
As unhas vermelhas que tocam a vulva.
Sem palavras e muitos ressentimentos,
Impregnado de imagens eróticas
O casal se sacia com a masturbação
E se vê obrigado a partilhar o alimento.
Dani R.F.
Que separam duas vidas incomuns
e se fazem presente na estranheza do convívio relutante.
No café, a amargura do gosto quente
Mistura-se com o mau hálito do álcool da véspera
Entre um sussurro e um grito
O ódio queima as vísceras do inimigo.
À tarde, a cópula ainda indesejada
Causa violência estomacal.
O outro fica a observar como bicho faminto
As unhas vermelhas que tocam a vulva.
Sem palavras e muitos ressentimentos,
Impregnado de imagens eróticas
O casal se sacia com a masturbação
E se vê obrigado a partilhar o alimento.
Dani R.F.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Nostalgia
Tive uma pequena reminiscência
Daquela cidade congelada.
Seus casarões imutáveis
Resistiam aos séculos que aniquilam lembranças
E sepultam consigo os bons momentos.
Um pouco de nostalgia tomou conta de mim
A noite inerme revelava só ausência
Não havia aquela gente
Nem os mesmos aglomerados
E a baderna que agitava e consolava a escuridão.
Não fui advertida dos anos que se passaram
Iludi-me com a barraquinha de pipocas-doces
Senti o cheiro de hortelã da caipirinha baiana
O gosto doce estonteante do meu vinho
E uma alegria repentina invadiu-me como um tufão.
Fui buscar meu tempo perdido.
Mas não avistei a roda de samba no Largo de São Francisco
Não encontrei o casal de italianos que faziam pizzas parisienses
E nem pude desfrutar da agitação costumeira do São Jorge
Somente os sinos setecentistas das igrejas continuavam a anunciar o tempo passado.
Retornei para o instante vivo
Contentei-me com as frituras do simpático casal de velhinhos.
Exausta, procurei um abrigo para passar a noite
E foi naquele velho hotel rococó onde encontrei um pouco de esperança
Recordando as promessas de um tempo venturoso.
Na laje do hotel, descobri uma visão panorâmica da cidade envelhecida
As luzes dos casarões e avenidas harmonizavam-se com a noite solitária
Um casal de enamorados contemplava o ribeirão corrompido
E um homem, sentado em cima da ponte,
Pensava na morte, entorpecido.
A cidade viva e festiva,
Regada de boemia e pretensos amigos noturnos
Hoje está reduzida a pequenos estilhaços da memória.
Sinto-me agora expatriada do meu próprio lugar imaginário
Com minhas raízes extraídas desse chão que jamais pertenci.
Dani R.F.
.
Daquela cidade congelada.
Seus casarões imutáveis
Resistiam aos séculos que aniquilam lembranças
E sepultam consigo os bons momentos.
Um pouco de nostalgia tomou conta de mim
A noite inerme revelava só ausência
Não havia aquela gente
Nem os mesmos aglomerados
E a baderna que agitava e consolava a escuridão.
Não fui advertida dos anos que se passaram
Iludi-me com a barraquinha de pipocas-doces
Senti o cheiro de hortelã da caipirinha baiana
O gosto doce estonteante do meu vinho
E uma alegria repentina invadiu-me como um tufão.
Fui buscar meu tempo perdido.
Mas não avistei a roda de samba no Largo de São Francisco
Não encontrei o casal de italianos que faziam pizzas parisienses
E nem pude desfrutar da agitação costumeira do São Jorge
Somente os sinos setecentistas das igrejas continuavam a anunciar o tempo passado.
Retornei para o instante vivo
Contentei-me com as frituras do simpático casal de velhinhos.
Exausta, procurei um abrigo para passar a noite
E foi naquele velho hotel rococó onde encontrei um pouco de esperança
Recordando as promessas de um tempo venturoso.
Na laje do hotel, descobri uma visão panorâmica da cidade envelhecida
As luzes dos casarões e avenidas harmonizavam-se com a noite solitária
Um casal de enamorados contemplava o ribeirão corrompido
E um homem, sentado em cima da ponte,
Pensava na morte, entorpecido.
A cidade viva e festiva,
Regada de boemia e pretensos amigos noturnos
Hoje está reduzida a pequenos estilhaços da memória.
Sinto-me agora expatriada do meu próprio lugar imaginário
Com minhas raízes extraídas desse chão que jamais pertenci.
Dani R.F.
.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
A Estrangeira
Uma viajante neófita
Revelou seu estado de alma
Era uma estrangeira incalculada
Distante do mundo
Perdida de si
As vozes longínquas
Inalcançáveis que são
E os bairros solitários
Foram só vontade insossa
Da mocidade desperdiçada
Esqueceram-se dela
Pobre mulher pequena
Só corpo esmiuçado
De vaga memória
Uma boniteza estragada
Ninguém se lembrou do tabaco podre
E da garrafa reutilizada
Abandonada despiu-se da carcaça
Estrangeira que foi
Ao ir embora, desapareceu.
Sou uma estrangeira, distante do mundo, perdida de mim!
Dani R.F.
Revelou seu estado de alma
Era uma estrangeira incalculada
Distante do mundo
Perdida de si
As vozes longínquas
Inalcançáveis que são
E os bairros solitários
Foram só vontade insossa
Da mocidade desperdiçada
Esqueceram-se dela
Pobre mulher pequena
Só corpo esmiuçado
De vaga memória
Uma boniteza estragada
Ninguém se lembrou do tabaco podre
E da garrafa reutilizada
Abandonada despiu-se da carcaça
Estrangeira que foi
Ao ir embora, desapareceu.
Sou uma estrangeira, distante do mundo, perdida de mim!
Dani R.F.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Juventude Verde
Avistei aquela meninaQue por um corte no dedo, um dia chorou
Frágil, pequenina, achava que ia morrer
A mãe, assustada, socorreu-a
Fez os curativos e tentou acalmá-la.
Espasmos, cortesia bruta
Vida inda, crescente
A comida da mesa com mimos
A regrada monotonia dos dias
O surto do calar antes de dormir
O êxtase demasiado agonizante
Tempo passa, do calor aos dias frios
Corre depressa, levando a inocência ninfal.
Juventude verde, repentina
Floresce no frescor macio da pele
Ao som do rock drop, despertou a vadiagem
Leviana, fugia da solidão maléfica
Indo parar nos botecos fora da criação mesquinha
Incontida, saiu dos domínios da mãe
Entregou-se sem saber amar.
Esquivou-se de seus bons modos
Já não era a aparência frágil de quem chora por um dedo cortado
Mas a vi, tão solitária e deprimente.
Nas andanças da banda triste
A barriga crescendo, o rosto encolhido
Sim, a fragilidade disfarçada de quem perdeu a alma
Dani R.F.
Dani R.F.
Pintura de Gustav Klimt. "Hope" (1903)
terça-feira, 14 de julho de 2009
A Ruiva

Um sonho de consumo
Dos garotos pubéricos
Mulher menina dos cabelos avermelhados
Com um copo de caipirinha,
Desconversava.
Entre manhãs e noites,
Uma pitada de cultura
Ao sol da meia-noite e o blues
Incendiava-se como seus cabelos de fogo
Palpitante.
Desvirginada aos treze
Prostitui-se aos vinte e poucos anos
Deu para um, dez, oitenta
Adoeceu
E morreu de aids.
Dani R.F.
Imagem de Henri de Toulouse-Lautrec - "A Ruiva", 1896
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Oceano de Mim

A terra em si não faz ruídos?
Ora, nem na mais profunda quietude
A ausência de vidas impede o grito do mundo
Quer sentir?
As portas se fecharam estrondosamente
E o frio lá fora zuniu nórdico
A natureza é genitora de toda a perfeição
Repenicando contra minha própria natureza.
Vejo o marasmo decadente dos vadios encardidos
Além de um emaranhado de fios no seu desce-e-sobe
Pencas de astros desabrocham do infinito iluminado
Acentuando a sofreguidão da lua uivante.
Oh, Deus, tudo isso é o inferno do paraíso?
Pois não vejo senão o vácuo dessa imensidão
Um vazio solitário dessa angústia ansiosa
Da cruel incerteza fazendo cambalhotas no ar.
Esse mar profundo e gélido em seu desatino
Possui meus fantasmas escaveirados vagando dentro de mim
Quantos mistérios meus estão ali habitados?
Pois estão submersos nesse oceano de dúvidas
Que eu tanto bebo como quem tem sede
No mais, sou insaciável, sou gigante, devoradora
De todos os meus pensamentos medíocres flutuantes
Com os sonhos mergulhados vindo à tona esverdeantes.
Vejo a vida lá fora enfadonha atirando os raios da dor
Com as costas esguias viradas para mim com enojo
As portas permanecem cerradas com os seus segredos
E as almas penadas produzem os ventos devassadores
Através do frio palpitante no peito esbaforido e salienteE o frio lá fora zuniu nórdico
A natureza é genitora de toda a perfeição
Repenicando contra minha própria natureza.
Vejo o marasmo decadente dos vadios encardidos
Além de um emaranhado de fios no seu desce-e-sobe
Pencas de astros desabrocham do infinito iluminado
Acentuando a sofreguidão da lua uivante.
Oh, Deus, tudo isso é o inferno do paraíso?
Pois não vejo senão o vácuo dessa imensidão
Um vazio solitário dessa angústia ansiosa
Da cruel incerteza fazendo cambalhotas no ar.
Esse mar profundo e gélido em seu desatino
Possui meus fantasmas escaveirados vagando dentro de mim
Quantos mistérios meus estão ali habitados?
Pois estão submersos nesse oceano de dúvidas
Que eu tanto bebo como quem tem sede
No mais, sou insaciável, sou gigante, devoradora
De todos os meus pensamentos medíocres flutuantes
Com os sonhos mergulhados vindo à tona esverdeantes.
Vejo a vida lá fora enfadonha atirando os raios da dor
Com as costas esguias viradas para mim com enojo
As portas permanecem cerradas com os seus segredos
E as almas penadas produzem os ventos devassadores
É possível afinal desvendar o esconderijo do silêncio?
Algumas descobertas podem causar a grande desgraça humana
E eu, um mar habitado no enigma do meu ser.
Dani R.F.
17-11-06
terça-feira, 7 de julho de 2009
Em Paz
O ato
A insônia
Solidão
E fome
Amordaçados,
E no fim da noite
O abandono do madrugar.
O galo canta
Astuto
Imperioso.
Lá fora, a geada
Gandaia dorme
Em paz
Sossegando
O movimento
Ainda se espreguiça.
Bêbado morto
Por deus, não!
Está deitado na rua
Roncando
Encardido.
As horas mau-vindas
Senhores, acordai-vos!
A noite ainda espera
Sedutora
Ansiosa.
O bacanal resguarda
No sono, os filhos da noite.
Dani R.F.
A insônia
Solidão
E fome
Amordaçados,
E no fim da noite
O abandono do madrugar.
O galo canta
Astuto
Imperioso.
Lá fora, a geada
Gandaia dorme
Em paz
Sossegando
O movimento
Ainda se espreguiça.
Bêbado morto
Por deus, não!
Está deitado na rua
Roncando
Encardido.
As horas mau-vindas
Senhores, acordai-vos!
A noite ainda espera
Sedutora
Ansiosa.
O bacanal resguarda
No sono, os filhos da noite.
Dani R.F.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Embriaguez
Quando as águas se tornam vis,O rio passa e leva embora a pureza
E traz contigo, o meu gigante
O meu pecado e o teu corpo.
Quero beber desse copo proibido
Degustar em tuas veias
O sangue frio, que me aquece
Sonhar o baile da meia-noite
Incendiar-me no teu perfume
Que toca o corpo que se exume
E delicio a valsa dos malandros
Como o velho vinho tinto
Que me embriaga, estonteada
O som melódico em ritmo de heresia
Desaba colérico, em prantos
Minha loucura, meu espanto
Que encoraja o prazer, o hedonismo
Faz-me despertar a insanidade
E assim vou tragar junto com a tua fuligem
Devorar tua boca maldita
Que palpita minha mente suja
E num impulso desenfreado
Bebo com voracidade teu sangue
Caindo em mim, zeladamente
O gosto doce da embriaguez
Bebo com voracidade teu sangue
Caindo em mim, zeladamente
O gosto doce da embriaguez
Dani R.F.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
O Bêbado
Um vulto sai do nada
É a figura de um bêbado
Vestido como maltrapilho
Escuro em sua imundície.
O odor alastra por onde passa
O cheiro desagrada os cachorros
Como uma carniça viva
Que está pronta para o abate
Seu andar tortuoso
E os olhos que se embaraçam
Buscam a linha reta
Que se desequilibra e engana
Com as mãos, busca o apoio
Tocando no vazio
O bêbado cai anestesiado
E com dificuldade, levanta-se.
Continua em passos tortos
Para lá e para cá
Abanando as mãos
Abandonado no meio da rua
De repente, a ladeira
Atraente, mas traiçoeira,
Ela convida-o a subir devagar:
“Venha alcançar o céu, querido.”
O bêbado baba de felicidade
Seu hálito etílico vira perfume
A ladeira estende suas mãos
Para o destino do indigente
Ele sobe, sorrindo
Ao levantar suas mãos
O bêbado desapoia da parede
E cai no chão, desacordado.
Com a cabeça no chão
O sangue escorre fresco
A noite encobre-o com seu frio
E no meio da rua, ele morre.
Dani R.F.
É a figura de um bêbado
Vestido como maltrapilho
Escuro em sua imundície.
O odor alastra por onde passa
O cheiro desagrada os cachorros
Como uma carniça viva
Que está pronta para o abate
Seu andar tortuoso
E os olhos que se embaraçam
Buscam a linha reta
Que se desequilibra e engana
Com as mãos, busca o apoio
Tocando no vazio
O bêbado cai anestesiado
E com dificuldade, levanta-se.
Continua em passos tortos
Para lá e para cá
Abanando as mãos
Abandonado no meio da rua
De repente, a ladeira
Atraente, mas traiçoeira,
Ela convida-o a subir devagar:
“Venha alcançar o céu, querido.”
O bêbado baba de felicidade
Seu hálito etílico vira perfume
A ladeira estende suas mãos
Para o destino do indigente
Ele sobe, sorrindo
Ao levantar suas mãos
O bêbado desapoia da parede
E cai no chão, desacordado.
Com a cabeça no chão
O sangue escorre fresco
A noite encobre-o com seu frio
E no meio da rua, ele morre.
Dani R.F.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Inverno

Está tarde,
Um frio seco começa a invadir o corpo
Já não é tempo de apreciar a carne
E o erotismo dos contornos femininos
Num lugarejo, a escuridão
O espectro ranzinza e esmagador
Revela a face de algo desfeito
É a mulher protegida do seu próprio desejo
Reina a decadência elegante
Esconde em seu abrigo o pecado desperto
O mistério atiça a mente
E o porvir das horas quentes
O vislumbre que rasga, que corta
Reflete na mulher uma calma suave
Seu semblante vazio e emudecido
Enfadonha turbulência de sofrer
A mulher senta-se calada
Seus olhos fatídicos revelam a embriaguez
Diante de si, um copo de conhaque
Um cigarro e a solidão.
Um frio seco começa a invadir o corpo
Já não é tempo de apreciar a carne
E o erotismo dos contornos femininos
Num lugarejo, a escuridão
O espectro ranzinza e esmagador
Revela a face de algo desfeito
É a mulher protegida do seu próprio desejo
Reina a decadência elegante
Esconde em seu abrigo o pecado desperto
O mistério atiça a mente
E o porvir das horas quentes
O vislumbre que rasga, que corta
Reflete na mulher uma calma suave
Seu semblante vazio e emudecido
Enfadonha turbulência de sofrer
A mulher senta-se calada
Seus olhos fatídicos revelam a embriaguez
Diante de si, um copo de conhaque
Um cigarro e a solidão.
Dani R.F.
Pintura de H. Toulouse Lautrec - Gueule de Bois
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Palavras reprimidas

Ah, quanto me resta dizer o que nao consigo!
Palavras que tentam sair da boca como náuseas
Palavras que tentam sair da boca como náuseas
e depois fazem seu vai-e-vem
embrulhando todo o estômago de piruetas,
e dançam seguindo o ritmo da valsa,
e dançam seguindo o ritmo da valsa,
agitam como as moléculas que sofrem a colisão: bummmm!
explodem!
explodem!
Mas as palavras ficam mutiladas em pequenos pedaços do corpo,
espalhando-se nesse vasto verde montanhoso.
Viram figuras de interferência,
Viram figuras de interferência,
com rabiscos multicoloridos,
rangendo contra as quatro paredes.
Mesmo aquelas que são vomitadas no vaso
Mesmo aquelas que são vomitadas no vaso
fundem-se com a água espumante...
embaralham-se!
O que vou eu dizer a ti?
mente confusa querendo algo dizer?
Estão em toda parte...
na gaiola junto com o canarinho branco,
no porão junto com a cadela no cio,
na mesa, no banheiro, dentro do carro, no bolso da calça...
em toda a parte e nao consigo arrancá-las!!
Perdoe-me se for asneira,
mas terá que me perdoar mais ainda
se falar eu nao conseguir,
enfim, as palavras continuam vagando aí
como esses seres mundanos...
Estão perdidas, simplesmente!
Estão perdidas, simplesmente!
Dani R.F.
terça-feira, 26 de maio de 2009
O FIM
Vindo de cóleras que embriagam
A água que escorre turva e lenta
Cheira o frescor da miséria
E a imundície reinante na metrópole
Petrifica os bons pensamentos
Através dos nossos olhos
A mulher deitada, agonizando
Necessitando de socorro
Grita por dentro, sofrendo
Transeuntes passam por ela
E vêem uma sombra negra
É um mendigo, um cachorro, um rato!
A figura pouco importa
Importa o que lhes apraz
A imundície da calçada
A mancha vermelha que escorre
O odor que enoja as narinas
A sujeira que inunda suas veias
Isso não importa.
Não há tempo mais para amar
Não conseguiremos viver os sonhos
Não teremos bondades
Não caminharemos de mãos dadas
Não admiraremos o belo
Não cantaremos a vida
Não mais, não agora
Nem no futuro próximo
Menos ainda no fim da vida

Dani R.F.
A água que escorre turva e lenta
Cheira o frescor da miséria
E a imundície reinante na metrópole
Petrifica os bons pensamentos
Através dos nossos olhos
A mulher deitada, agonizando
Necessitando de socorro
Grita por dentro, sofrendo
Transeuntes passam por ela
E vêem uma sombra negra
É um mendigo, um cachorro, um rato!
A figura pouco importa
Importa o que lhes apraz
A imundície da calçada
A mancha vermelha que escorre
O odor que enoja as narinas
A sujeira que inunda suas veias
Isso não importa.
Não há tempo mais para amar
Não conseguiremos viver os sonhos
Não teremos bondades
Não caminharemos de mãos dadas
Não admiraremos o belo
Não cantaremos a vida
Não mais, não agora
Nem no futuro próximo
Menos ainda no fim da vida

Dani R.F.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Loucura
Até meu filho de menos de dois anos de idade me conhece melhor do que eu...
Ao ver atitudes, gestos ou expressões estranhas, ele diz:
Mamãe doida, mamãe doida...
E meus braços continuam a balançar como pêndulos de relógio
Minhas mãos continuam a tocar tambores descompassadamente
Minhas pernas continuam a arrancar feito elástico esticado quando solto
E meus ouvidos continuam a ouvir
Mamãe doida, mamãe doida...
Até ver chegar meu marido com um copo d'água e uma balinha azul
ela desce em minhas goelas e repousa no meu estômago
Se dissolvendo lentamente, poderosíssima
E os ecos de uma voz fina vão se tornando cada vez mais suaves
Ma-mãe doidaaa, ma-mãe doidaaaa
E cessam de uma vez, trazendo para meus olhos, a escuridão plena.
Dani R.F.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Retorno?!
Ressuscitei...
Como aquela que quer devorar os extremos
Ter de volta os pequenos versos
As pequenas mágoas e grandes paixões
Voltei...
A embriagar-me de desejos
De pensamentos insanos
E de loucuras desmedidas
Senti Saudades
De ver encostada em brancas paredes
De lagrimas convulsivas
E olhos borrados
Boca seca entreaberta
O espanto desatinado
Em gritos incontroláveis
Anunciando o decadente
Quero meu café quente
Quero deleitar-me em sonhos rústicos
aconchegar-me das noites frias
Dos ventos nórdicos
Descansando, inventando...
Dani R.F.
Como aquela que quer devorar os extremos
Ter de volta os pequenos versos
As pequenas mágoas e grandes paixões
Voltei...
A embriagar-me de desejos
De pensamentos insanos
E de loucuras desmedidas
Senti Saudades
De ver encostada em brancas paredes
De lagrimas convulsivas
E olhos borrados
Boca seca entreaberta
O espanto desatinado
Em gritos incontroláveis
Anunciando o decadente
Quero meu café quente
Quero deleitar-me em sonhos rústicos
aconchegar-me das noites frias
Dos ventos nórdicos
Descansando, inventando...
Dani R.F.
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